ARTIGO

Acidentes por animais peçonhentos e os rins

Autor: admin | Data: 31/10/2018

Corriqueiramente tais intercorrências são mais quantificadas em regiões interioranas e rurais, normalmente associadas a acidentes casuais bem como em trabalhos notadamente em lavouras. Todavia, em decorrência à degradação do habitat natural de determinadas espécies por ocasião da ocupação desordenada, a ocorrência de acidentes por animais peçonhentos em especial, com escorpiões notados em entulhos e restos de construção civil no meio urbano, se tornou episódios mais frequentes.   A peçonhenta constitui produto tóxico produzido pelo animal utilizado também como mecanismo de defesa que ao ser inoculado na vítima possui potenciais características hepato e nefrotóxicas,  levando a processos inflamatórios  agudos locais,  reações neurotóxicas, vagomiméticas, coagulantes e miotóxicas. Os acidentes por animais peçonhentos podem ser considerados leves, moderados e graves. Em geral são ocorrência que necessitam ser notificadas e investigadas, posteriormente informados à autoridade epidemiológica local. A abordagem  em suma comumente é hospitalar havendo necessidade de avaliação clínica e laboratorial para estabelecimento da conduta clínica que envolverá normalmente internação hospitalar a depender das características do acidente, sendo necessário a dessensibilização, soroterapia  analgesia, antibioticoterapia, além de cuidados locais e atenção a reações sistêmicas. Quanto ao comprometimento renal nos acidentes por cobras do gênero botrópica a IRA é advinda da isquemia renal secundária a microtrombos em capilares, já no acidente crotálico que possui maior coeficiente de letalidade a ocorrência de rabdomiólise e IRA com necrose tubular e instalação em 48 horas. Acidentes com Phoneutria pode desencadear acidose metabólica e ocorrências com Loxoceles habitualmente elevam as taxas de ureia, creatinina e potássio. A terapia renal substitutiva estará indicada quando medidas de remediação prévias não forem resolutivas necessitando assim de filtração glomerular extracorpórea.